Bons, mas não o suficiente

Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês limpam o exterior do copo e do prato, mas por dentro eles estão cheios de ganância e cobiça. Fariseu cego! Limpe primeiro o interior do copo e do prato, para que o exterior também fique limpo (Mateus 23:25-26).

Os fariseus eram boas pessoas, mas não suficientemente boas. Ninguém pode ler os Evangelhos, mesmo de maneira superficial, sem compreender que não havia coisa mais irritante para Jesus do que a religião dos escribas e fariseus.

Por quê? Por que Jesus não gritava com as prostitutas e os coletores de impostos? Por que Ele não gastava mais tempo condenando a classe de sacerdotes mundanos (os saduceus) ou o descuidado povo comum? Por que os fariseus, que de acordo com toda a aparência exterior, eram os melhores homens?

O último ponto é o problema. A religião deles tinha boa aparência no exterior. Eles eram pessoas brilhantes, que usavam a vestimenta certa, moravam no melhor tipo de vizinhança e faziam as coisas certas.

As igrejas de hoje, inclusive as chamadas adventistas, iriam disparar em busca dessas pessoas para registrá-las no livro de membros da igreja. Sem dúvida, muitos deles até se tornariam líderes leigos ou eclesiásticos. Seus talentos seriam bem utilizados.

Entretanto, eles tinham uma falha. Sua religião era de fachada, não vinha do coração.

Jesus foi claro nesse ponto. Se a religião não abranda o coração e transforma a vida de dentro para fora, ela é sem valor.

Jesus economizou Suas mais “violentas” palavras para esses “bons” membros de igreja, porque eles eram hipócritas inconscientemente. Faziam tudo certo, mas a própria bondade exterior era seu narcótico. Sua bondade os embalava em um sono de condescendência própria, e os deixava imunes ao senso de suas verdadeiras falhas e necessidades espirituais.

Eles precisavam ser despertados para o fato de que a mera bondade exterior definitivamente não é bondade. Precisavam compreender a profundidade do cristianismo.

Eu também preciso! Senhor, dá-me olhos para ver a minha verdadeira condição e ouvidos para ouvir os Teus conselhos.

George R. Knight foi professor de História da Igreja na Andrews University, Estados Unidos, por trinta anos. Retirado de Caminhando com Jesus no Monte das Bem-aventuranças (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2001), p. 114.

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  1. É uma preocupação bem grande essa. Ser um cristão teórico ou prático? Muito conhecimento e pouca ação, ou muita ação e pouco conhecimento me parecem vias iguais indo para destinos diferentes que darão no mesmo lugar. Ao passo que comento em outro artigo que é necessário reeducar nosso povo, nesse quero comentar sobre a ação, ação transformadora da graça de Jesus Cristo. Um povo culto na bíblia estará pronto para a ação propriamente dita, é uma via de mão única, os resultados serão mais belos que os atuais. Insisto na ideia das escolas teologicas para leigos. (e olha, se fossem pagas ainda seria barato). Se a graça salva, também transforma, e transforma de dentro pra fora.