Todos os cisnes são brancos?

Publicado em 30/07/2014 por Matheus Cardoso como Teologia
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Como vimos nos dois textos anteriores da série, a observação é fortemente orientada pela teoria. Sem uma teoria que lhe dê aporte, o observador teria que fazer uma lista interminável de observações vazias ou coletar uma série de dados sem sentido. Além disso, o processo indutivo, ainda que possuidor de premissas verdadeiras, pode levar um observador atento a conclusões falsas. Essas constatações podem parecer estranhas num primeiro momento, mas foram levantadas por vários filósofos e cientistas preocupados em entender como a ciência funciona. Um deles foi um filósofo austríaco chamado Karl Popper (1902-1994). Popper deu origem ao que se conhece como falsificacionismo. Para ele, nem todas as observações e experimentos do mundo podem provar que uma teoria está certa, mas uma única observação contrária pode provar que uma teoria está errada. Em outras palavras, por mais que eu tenha observado o maior número possível de cisnes, não é possível dizer que todos os cisnes são brancos (afinal, nem todos os cisnes do mundo foram observados). No entanto, basta um único cisne preto para se concluir com certo grau de segurança: “Nem todos os cisnes são brancos.” Ler mais »

Notícias sobre o fim dos tempos

Publicado em 30/07/2014 por Matheus Cardoso como Bíblia, Teologia

É preocupante ver adventistas declararem o “fim dos tempos” diante de qualquer notícia. Desde uma guerra até uma propaganda de carro, de uma declaração do papa até a cena de uma novela: tudo é visto como sinal de que estamos nos últimos dias”. Falta Bíblia nisso. O foco está errado.

Já estamos vivendo nos “últimos dias” desde a primeira vinda de Jesus, Sua morte, ressurreição e entronização. O Pentecostes foi o cumprimento de uma profecia para os “últimos dias” (At 2:17). Jesus foi a revelação divina “nestes últimos dias” (Hb 1:2), e o Seu sangue foi manifestado “no fim dos tempos” (1Pe 1:20). João já alertava que “já é a última hora” (1Jo 2:18). O Novo Testamento foi escrito na certeza de que o período dos “últimos dias” já havia começado (At 2:16).

A igreja é o povo de Deus dos últimos dias. Escatologia é o estudo dos eventos finais centralizados em ambos os adventos de Cristo. A vinda do fim tem a ver com a consumação do Reino de Deus (1Co 15:24), e não com guerras e agitações políticas (“mas ainda não é o fim”; Mt 24:6). Para isso, o evangelho do Reino será pregado por todo o mundo, “então, virá o fim” (Mt 24:14). A Bíblia enfatiza Cristo, Seu Reino, Sua Igreja e Sua missão.

Assim, os rios podem ficar coloridos, meteoros podem cair, e o papa pode fazer piqueniques com pentecostais todos os domingos: Cristo é o ‘evento’ que mais importa nos “últimos dias”.

“A brevidade do tempo é frequentemente realçada como incentivo para buscar a justiça e fazer de Cristo o nosso amigo. Este não deve ser o grande motivo para nós; pois cheira a egoísmo. É necessário que os terrores do dia de Deus sejam mantidos diante de nós, a fim de sermos compelidos à ação correta pelo medo? Não devia ser assim. Jesus é atraente” (Ellen G. White, Review and Herald, 2 de agosto de 1881).

(Pr. Isaac Malheiros, via Facebook)

Leia também: “Os últimos dias: espetaculares ou normais?

3 perguntas cruciais sobre a Bíblia

Publicado em 29/07/2014 por Matheus Cardoso como Bíblia, Teologia

Sabe quando você descobre que existe um livro que é exatamente aquilo que você procurava há anos?

O livro 3 perguntas cruciais sobre a Bíblia não foi escrito para pastores nem acadêmicos, mas para os membros da igreja. De maneira agradável e acessível, mas não superficial, ele responde três perguntas que são essenciais para todo cristão:

1 – Podemos confiar na Bíblia? (Que razões existem para crer que ela é a Palavra de Deus?)
2 – Podemos entender a Bíblia? (Como estudar e interpretar a Bíblia, mesmo sem ser acadêmico?)
3 – Podemos fazer teologia a partir da Bíblia? (Como descobrir quais são os ensinos e orientações da Bíblia?)

O livro foi escrito por Grant Osborne, Ph.D. em Novo Testamento pela Universidade de Aberdeen (Escócia). Essa é uma versão popular do livro do mesmo autor, A espiral hermenêutica: uma nova abordagem à interpretação bíblica (São Paulo: Vida Nova, 2009), uma das melhores obras que existem sobre o assunto. Ler mais »

Pós-modernidade: inimiga ou amiga?

Publicado em 28/07/2014 por Matheus Cardoso como Pós-modernismo
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A pós-modernidade é o momento em que a modernidade está sendo questionada, as proposições da modernidade são questionadas. E este é o nosso grande momento. Na minha opinião e de muitos outros, a pós-modernidade não é nossa inimiga. É nossa grande amiga.

Os cristãos costumam dizer que a pós-modernidade questiona a verdade, confronta a modernidade. Então eles argumentam que isso é ruim para nós, cristãos, porque nós temos a verdade da Palavra de Deus; temos Jesus, que é a verdade; temos a Palavra do Deus que não pode mentir; dizemos que alguém conhece a verdade, e a verdade o libertará.

Quando o pessoal da pós-modernidade vem questionar a verdade – e a gente acusa a pós-modernidade de ser relativista –, a gente se assusta e fala: “Esses caras são do diabo. É mais um movimento do demônio para acabar com a igreja, acabar com a verdade do evangelho”. Ler mais »

Observações dependem de teorias

Publicado em 27/07/2014 por Matheus Cardoso como Teologia
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No texto anterior, vimos que o processo indutivo, ainda que tenha premissas verdadeiras, pode levar um observador atento a conclusões falsas. Por isso, ele não seria um critério seguro para demarcar “o que é” e “o que não é” ciência. Ele é importante, mas tem seus limites. Aqui, quero explorar melhor essa questão. Arrisco-me a dizer que o x da questão não é apenas que uma observação pode induzir alguém a uma conclusão falsa. A grande questão é que toda observação só faz sentido à luz de algum tipo de teoria. Comecemos com Charles Darwin (1809-1882). O cientista inglês era muito perspicaz, não apenas na biologia, mas em outras áreas envolvendo filosofia da ciência. Em 1861, ele escreveu uma carta a Henry Fawcett sobre uma situação curiosa que ocorreu no passado com os geólogos britânicos. Era o início do século 19 e os membros da Geological Society de Londres estavam cansados de intermináveis discussões teóricas e de explicações cada vez mais vazias sobre o desenvolvimento do planeta Terra. Assim, tomaram uma decisão extremista: não haveria mais discussões teóricas em suas reuniões. Eles apenas contemplariam “os fatos”, coletariam informações e fariam observações diretas. E, quando tivessem um conjunto relativamente significativo de dados, poderiam partir para uma teorização que fosse mais expressiva e consistente. Pelo menos era assim que pensavam. A visão de Darwin sobre o episódio é muito relevante: Ler mais »

As Escrituras, a tradição e a teologia

Publicado em 26/07/2014 por Matheus Cardoso como Bíblia, Teologia
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“Quem não conhece sua própria história não sabe por que é como é, e portanto não tem a liberdade de ser de outro modo. Quem, por outro lado, começa a compreender por que é de certo modo, começa também a descobrir a possibilidade de ser diferente” — afirma Justo Gonzáles em sua obra Retorno a la Historia del Pensamiento Cristiano — tres tipos de teologia, lançada originalmente em inglês e publicada em espanhol (Ediciones Kairos, 2009) com adaptação feita para o contexto da América Latina.

Afirmando a importância da busca das origens, Gonzáles adverte, entretanto, que não é a palavra dos teólogos que dura para sempre, mas a Palavra que os teólogos estudaram. Por mais que respeitemos nossos antepassados, considerar seus escritos como teologia definitiva equivale a trair exatamente seu mais precioso legado e um dos pontos essenciais da Reforma: a primazia das Escrituras sobre a tradição. Devemos ouvir a tradição, mas também envidar todos os esforços para que as Escrituras ganhem voz contemporânea. Cada geração deve buscar nas Escrituras a voz de Deus para hoje. Ler mais »

Nem só de observação vive a ciência

Publicado em 26/07/2014 por Matheus Cardoso como Teologia
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Como funciona a ciência? Nesta série de textos, esperamos que os leitores possam aprender um pouco sobre o funcionamento de um dos mais importantes empreendimentos do conhecimento feito pelo ser humano.

A concepção de ciência que encontramos popularizada no senso comum é fruto do indutivismo. Para quem o advoga, conhecimento científico é conhecimento que foi testado e provado. Esse tipo de saber seria seguro e absolutamente confiável porque começaria e dependeria apenas das observações e das análises empíricas. Em outras palavras, qualquer pessoa, empregando seus sentidos de forma rigorosa e utilizando ferramentas adequadas, pode fazer experimentos e obter um conjunto X de dados de forma objetiva. Na prática, ela pode perceber que um metal aquecido até a temperatura X sempre irá derreter ou que a água abaixo de Yº C sempre irá congelar.

Com os fatos adquiridos pela observação, o cientista formula leis e teorias que expliquem aquele dado fenômeno em condições universais, ou seja, dadas determinadas condições ambientais, o metal sempre irá aquecer e a água sempre irá congelar. Em tese, o conhecimento da ciência seria assim alcançado somente pela observação. Se os dados apontam para essa universalização, constrói-se uma teoria que sempre explicará essas informações. Os dados viriam antes, as teorias depois. Em tese, o que teríamos hoje como fatos científicos seriam frutos desse processo observacional, construída sobre fatos e que tem na experiência sua fonte de conhecimento – sendo, por isso, confiáveis. Ler mais »

Jovem rico: salvação pelas obras?

Publicado em 25/07/2014 por Matheus Cardoso como Bíblia

A história do “jovem rico” é uma das mais conhecidas dos evangelhos. Ela começa assim:

Eis que alguém se aproximou de Jesus e Lhe perguntou: “Mestre, que farei de bom para ter a vida eterna?”

Respondeu-lhe Jesus: “Por que você Me pergunta sobre o que é bom? Há somente um que é bom. Se você quer entrar na vida, obedeça aos mandamentos” (Mt 19:16-17).

Nesse texto, Jesus não estaria ensinando a salvação pelas obras (isto é, pela obediência)? Se for assim, Ele está contradizendo outros textos claros da Palavra de Deus, que ensinam que a salvação é pela graça somente (Rm 3:28; 11:6; Gl 2:16, 21; Ef 2:8-9; Fp 3:9). Ler mais »