O que é reavivamento e reforma? – parte 2

Publicado em 31/03/2013 por Matheus Cardoso como Espiritualidade, Igreja
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Na década de 1890, A. T. Jones e E. J. Waggoner ajudaram os adventistas a compreender melhor o evangelho da graça. Isso produziu grandes reavivamentos e fortaleceu a igreja a prosseguir em sua missão. Como podemos ter uma experiência semelhante em nossos dias?

A reflexão a seguir tem por base principalmente o último capítulo do livro de George R. Knight, A mensagem de 1888 (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2003), p. 187-203.

1. Precisamos resgatar a centralidade da mensagem de Apocalipse 14

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A mensagem para o nosso tempo foi profetizada na figura dos três anjos de Apocalipse 14 (versículos 6-12). O povo de Deus é descrito nestas palavras: “Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus” (Apocalipse 14:12, ARA). Muitos acreditam que a lei é oposta ao evangelho, mas a profecia afirma devemos aceitar ambos: os mandamentos de Deus e a fé em Jesus.

O que os adventistas inicialmente não compreenderam tão bem foi a “fé em Jesus”. Essa parte do texto bíblico se tornou o ponto focal da assembleia de 1888. Nesse importante evento, Ellen White, A. T. Jones e E. J. Waggoner enfatizaram que o centro da mensagem de Apocalipse 14 é a fé no grande sacrifício de Jesus realizado na cruz do Calvário. Conforme Ellen White e Waggoner declararam repetidas vezes, essa compreensão não era nenhuma verdade nova sobre a salvação pela graça, mas a mesma verdade pregada por Jesus, Paulo e os reformadores do século 16.

A nossa missão essencial não se modificou desde 1888. Devemos apresentar corretamente a relação entre a lei e o evangelho. Ellen White afirmou:

Ainda há muita luz que brilhará da lei de Deus e do evangelho da justificação. Essa mensagem, compreendida em seu verdadeiro caráter e proclamada no Espírito, iluminará a Terra com sua glória [Apocalipse 18:1] (Este dia com Deus, p. 329).

2. Jesus e Sua graça salvadora devem estar no centro de nossas crenças

A mensagem para este tempo é muito ampla: envolve um Salvador vivo e atual, e Sua obra inclui o que Ele fez (na cruz), está fazendo (no santuário celestial) e fará (na segunda vinda). Essa mensagem é, por definição, totalmente cristocêntrica.

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Por essa razão, Ellen White escreveu:

De todos os professos cristãos, os adventistas do sétimo dia devem ser os primeiros a exaltar Cristo perante o mundo. A proclamação da terceira mensagem angélica pede a apresentação da verdade do sábado. Essa verdade, juntamente com outras incluídas na mensagem, tem de ser proclamada; mas o grande centro de atração, Cristo Jesus, não deve ser deixado à parte (Obreiros evangélicos, p. 156).

Cristo e Sua obra redentora são o centro da doutrina bíblica e da mensagem adventista. O teólogo Alberto R. Timm explica:

Falando a respeito da posição de Cristo dentro do amplo espectro da mensagem adventista, [Ellen] White afirmou que “a verdade para este tempo é ampla em seus contornos, de vasto alcance, abrangendo muitas doutrinas; estas, porém, não são unidades destacadas, de pouca significação; são unidas por áureos fios, formando um todo completo, tendo Cristo como o centro vivo” (Mensagens escolhidas, v. 2, p. 87) (Ministério, março-abril de 2001, p. 16).

O autor continua:

A respeito da obra expiatória de Cristo, a mesma autora assevera que “Jesus Cristo, e Este crucificado” é o “grande interesse central” (Testemunhos para ministros, p. 331). A cruz do Calvário é considerada “o grande centro” (Seventh-day Adventist Bible Commentary, v. 4, p. 1.173), e a expiação [realizada na cruz], “a grande essência, a verdade central” (Evangelismo, p. 223). Ela explica que “a cruz deve ocupar o lugar central por ser o meio da expiação da humanidade e pela influência que ela exerce em todas as partes do governo divino” (Testemunhos para a igreja, v. 6, p. 236) (ibid.).

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O cerne da mensagem de 1888 foi a exaltação de Jesus e da plena salvação nEle, que também é a essência da mensagem de Apocalipse 14. Ellen White declarou:

Vários me escreveram, indagando se a mensagem da justificação pela fé é a mensagem do terceiro anjo, e tenho respondido: “É verdadeiramente a mensagem do terceiro anjo” (Mensagens escolhidas, v. 1, p 372).

A mensagem da justiça de Cristo soará de uma à outra extremidade da Terra, a fim de preparar o caminho ao Senhor. Essa é a glória de Deus com que será encerrada a mensagem do terceiro anjo (Testemunhos para a igreja, v. 6, p. 19).

Um interesse predominará, um assunto absorverá todos os outros — Cristo, justiça nossa (Filhos e filhas de Deus, p. 259).

Não devemos imaginar que um entendimento equivocado sobre a salvação estivesse restrito aos primeiros cristãos (veja, por exemplo, Romanos e Gálatas) e aos primeiros adventistas. Pesquisas recentes mostram que estamos tão confusos quanto eles (veja aqui e aqui). Portanto, temos a mesma necessidade.

3. Precisamos passar do nível intelectual para o nível prático

“Cristianismo” que é apenas conhecimento intelectual não é cristianismo verdadeiro. Colocar Cristo no centro de nosso sistema de crenças é apenas o primeiro passo na direção correta. Uma coisa é pôr Cristo no centro de nosso sistema de crenças e aceitar teoricamente a justificação pela fé. Outra coisa  bastante diferente é experimentar essas verdades. E isso é reforma espiritual.

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Em O Desejado de Todas as Nações (p. 309-310), lemos que

o maior dos enganos do espírito humano, nos dias de Cristo, era que um mero assentimento à verdade constituísse justiça. Em toda experiência humana, o conhecimento teórico da verdade se tem demonstrado insuficiente para a salvação. Não produz os frutos de justiça. […] Os fariseus pretendiam ser filhos de Abraão, e vangloriavam-se de possuir os oráculos de Deus; todavia, essas vantagens não os preservavam do egoísmo, da malignidade, da ganância e da mais baixa hipocrisia. Julgavam-se os maiores religiosos do mundo, mas sua pretensa ortodoxia os levou a crucificar o Senhor da glória.

O mesmo perigo existe ainda. Muitos se consideram cristãos, simplesmente porque concordam com certos dogmas teológicos. Não introduziram, porém, a verdade na vida prática. Não creram nela nem a amaram; não receberam, portanto, o poder e a graça que advêm mediante a santificação da verdade. As pessoas podem professar fé na verdade; mas, se ela não os torna sinceros, bondosos, pacientes, controlados, tomando prazer nas coisas de cima, é uma maldição a seu possuidor e, por meio de sua influência, uma maldição ao mundo.

Jesus é a grande necessidade da igreja hoje, exatamente como era em 1888. Conforme Ellen White escreveu:

Falemos, oremos e cantemos a esse respeito, e isso quebrantará e conquistará os corações. Frases prontas, formais, a apresentação de assuntos meramente argumentativos, não trazem benefício. O amor enternecedor de Deus no coração dos obreiros será reconhecido por aqueles em cujo benefício eles trabalham. As pessoas estão sedentas da água da vida. Não sejam cisternas vazias. Se lhes revelarem o amor de Cristo, vocês poderão levar os sedentos e famintos a Jesus, e Ele lhes dará o pão da vida e as águas da salvação (Review and Herald, 2 de junho de 1903).

(Adaptado do meu artigo publicado originalmente no Comentário da Lição da Escola Sabatina.)

O que é reavivamento e reforma? – parte 1