Maurício Manieri – Nova Semente

Publicado em 20/01/2014 por Matheus Cardoso como Espiritualidade, Igreja
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(Por Mario Jorge Lima, músico adventista)

A respeito desse debate que se instaurou e pipocou na Web sobre a apresentação do cantor Maurício Manieri no Espaço Nova Semente – debate esse nem sempre respeitoso, nem sempre educado, nem sempre com espírito cristão de fraternidade e amor, e, desculpem, nem sempre com inteligência emocional e espiritual – quero deixar esse registro, não pra polemizar ainda mais, mas pra reflexão de todos que desejarem. Quero que saibam que orei antes de publicar essa postagem, que originalmente fiz no perfil do amigo Marcelo Meireles.

Circunstancialmente eu participei de algumas das primeiras reuniões de organização da Nova Semente, nos idos de 2005. Depois também frequentei semanalmente, por quase um ano, as reuniões, quando ainda eram lá na Brigadeiro Luiz Antônio, aos domingos à tarde. Nunca deixei a igreja em que eu congregava e congrego há 21 anos, que é a IASD Moema-SP. Entendi todo o propósito da Nova Semente, colaborei com ele, e embora não seja a comunidade que eu gosto de frequentar e que tenha a ver comigo como adorador, enxergo claramente os objetivos dela e tenho encaminhado pessoas para lá desde o início.

Querem um exemplo? Coincidentemente também, fui a pessoa que primeiramente fez contato com o Mauricio Manieri, nos idos de 2007, depois de vê-lo numa entrevista no UOL e saber que ele teve um passado adventista, como pianista, se não me engano, na IASD do Ipiranga em São Paulo. Passamos a trocar e-mails e músicas em MP3, e num desses e-mails eu falei a ele sobre essa nova comunidade da Nova Semente, e ele manifestou interesse em conhecê-la. Ele só veio a procura-la em 2011, esteve lá (eu já não frequentava, continuo membro em Moema-SP), deu um bonito testemunho e tenho certeza de que o contato com o povo da igreja tem feito muito bem a ele e à sua família. Quem o acompanha mais de perto diz que ele está se tornando outra pessoa.

Sigo à distância o trabalho da Nova Semente e de outras comunidades como a IASD da Vila Olímpia-SP, o CAJU – Comunidade Adventista de Jovens Universitários-SP, a Home Church-SP (igreja nas casas), a Comunidade Judaica Adventista Beth Bnei Tsion, a Comunidade Árabe Aberta Adventista e diversas outras iniciativas. A rigor todas elas são, sim, dentro daquilo a que se propõem, no estilo de culto, liturgia, louvor, etc., diferentes da IASD tradicional e das igrejas evangélicas mais conservadoras. E agora tem mais outras, que são os Espaços Novo Tempo e Encontro Vida, que estão surgindo em diversas capitais no Brasil. Mas a mensagem do advento tem sido preservada em todas elas. Eu sempre que tenho oportunidade, no contato com pessoas a quem falo de Deus, dependendo do perfil que sinto nessas pessoas, e no discernimento que peço que Deus me dê, sugiro e as encaminho ou para uma de nossas igrejas tradicionais ou para uma dessas comunidades citadas.

Eu vejo todas essas iniciativas – e todas são autorizadas pela organização adventista – como estratégias diferenciadas de evangelização, esforços diferenciados de alcançar nichos distintos de pessoas, as quais teriam dificuldades em entrar numa igreja tradicional ou mesmo em uma ou outra dessas congregações citadas. Nosso Deus é o Deus da diversidade em Seu amor para nos alcançar, e Sua graça é dita na Bíblia ser multiforme. Ele mesmo, ao longo da história, começando pelo Eden e até os nossos dias, nunca mudou Seus propósitos, justiça, preceitos e leis, mas com certeza ajustou Suas estratégias para alcançar o ser humano. É só ler a história bíblica e constataremos isso. Sendo assim, quero dizer algo que me parece importante: essas diversas iniciativas devem ser vistas como estratégias de evangelização, como meios para alcançar pessoas, mas, jamais como modelos de igreja, pois não são, e nem acredito que seja esse o propósito delas.

Quanto ao show do amigo Maurício Manieri, é possível, sim, que tenha havido algum exagero, algumas coisas que causaram desconforto e estranheza no restante da igreja e que são passíveis de ajustes. Mas esse tipo de coisa, em maior ou menor grau, não ocorre e não ocorrerá apenas na NS. Há bem pouco tempo, 3 meses mais ou menos, o Take-6 apareceu de surpresa no culto de uma sexta-feira à noite no UNASP-EC, e pelo que eu soube depois, a abertura e entrada deles no palco foi meio dançante e festiva, e aborreceu também algumas pessoas. Há diversos aspectos envolvidos nessas questões, e nossas cabeças, às vezes estratificadas, nem sempre conseguem digerir tudo adequadamente. Temos que entender essa nossa dificuldade também. Somos fundamentalmente pessoas diferentes umas das outras, não fomos criados em série, somos seres pensantes com poder de escolha e vontade livre, que muitos chamam de livre arbítrio.

Sendo assim, sem me alongar mais, sem jogar princípios no lixo (quem me conhece e ja ouviu minha pregação e leu meus textos jamais vai dizer isso de mim), quero, com muita humildade deixar aos meus queridos amigos e irmãos, um conselho saudável, que eu tenho frequentemente dado a mim mesmo. Quando nos defrontarmos em nossas congregações ou em nossa vida, com situações complicadas, difíceis de equacionar, que num primeiro momento esquentem o nosso sangue e até nos causem indignação, antes de criticar, antes de machucar, antes de até mesmo agredir – vi gente falando em dar pedrada e agredir fisicamente em outras postagens – vamos interceder. Vou repetir: quando quiser criticar e ferir, primeiro interceda. Interceda. Deus ouve nossas orações. Talvez com isso algo mude em você e sua atitude se ajuste melhor ao plano de Deus.

E tudo tem que ser por amor e com amor, não há outro jeito, esse é o jeito de Deus. Alguém que sabia das coisas já disse uma vez que posso falar a língua dos anjos, ter fé para mover montanhas e até dar o meu corpo pra ser queimado por uma causa justa, se isso não for por amor, estou perdendo meu tempo, de nada serve. Lembremos que somos todos peregrinos, numa caminhada para o mesmo céu. E que fique claro que não vim aqui defender Maurício Manieri, com quem não tenho tido mais contatos, nem Nova Semente, que não frequento, mas vim falar do evangelho da Graça de Deus. Que Ele nos cubra com essa Sua graça.

[Fim do texto de Mario Jorge Lima, postado publicamente em seu perfil no Facebook]

“Deus chamará pessoas ao Seu serviço, pessoas que não promoverão o trabalho da maneira desanimada como tem sido promovido no passado. […] Que ninguém desanime a esses fervorosos trabalhadores. Eles cometerão erros em algumas coisas, e precisarão ser corrigidos e instruídos. Mas vocês que estão há mais tempo na igreja, também não têm cometido enganos e necessitado de correção e instrução? Quando cometeram erros, o Senhor não os expulsou, mas os curou e fortaleceu. […]

“Deus escolhe os Seus mensageiros, e lhes dá a Sua mensagem; e Ele diz: ‘Não [os] impeçam’ (Lc 18:16, NVI). Novos métodos precisam ser introduzidos. O povo de Deus precisa despertar para a necessidade do tempo em que está vivendo” (Ellen G. White, Refletindo a Cristo, p. 234; o artigo completo, publicado em Pacific Union Recorder, 23 de outubro de 1902, está disponível em Ellen G. White Writings).