É tudo sobre Ele

Publicado em 06/06/2016 por Matheus Cardoso como Bíblia

A primeira coisa que estava de trás para a frente parecia tão óbvio de percebermos que é até embaraçoso de admitir: falhei em compreender que a Bíblia é um livro sobre Deus. […] Talvez eu soubesse de fato que a Bíblia era um livro sobre Deus, mas não percebia que não a estava lendo como se fosse.

Foi aqui que coloquei as coisas de trás para a frente: eu iniciava meu devocional fazendo as perguntas erradas. Eu lia a Bíblia perguntando: “Quem eu sou?” e “O que devo fazer?” E a Bíblia realmente respondeu a essas perguntas em alguns lugares. […] Mas as perguntas que eu estava fazendo revelaram que eu tinha uma sutil má interpretação em relação à própria natureza da Bíblia: eu acreditava que a Bíblia era um livro sobre mim.

Eu cria que deveria ler a Bíblia para ensinar a mim mesma sobre como viver e para ter a garantia de que eu era amada e perdoada. Eu acreditava que ela era um guia para a vida e que, em qualquer circunstância, alguém que realmente soubesse como ler e interpretá-la poderia encontrar uma passagem que oferecesse conforto ou orientação. Eu acreditava que o propósito da Bíblia era me ajudar. […]

Nós pensamos que se ela ao menos nos dissesse quem somos e o que devemos fazer, então nossas inseguranças, temores e dúvidas desapareceriam. Mas as nossas inseguranças, temores e dúvidas jamais podem ser banidas pelo conhecimento de quem nós somos. Eles só podem ser banidos pelo conhecimento do “Eu Sou”. Devemos ler e estudar a Bíblia com nossos ouvidos treinados para ouvir a declaração que Deus faz de Si mesmo.

Isso significa que a Bíblia não tem nada a dizer sobre quem nós somos? De modo nenhum. Nós apenas tentamos responder àquela pergunta de trás para a frente. A Bíblia realmente nos fala sobre quem somos e sobre o que devemos fazer, mas o faz através das lentes de quem é Deus. O conhecimento de Deus e o conhecimento do eu sempre andam de mãos dadas. De fato, não pode haver um conhecimento verdadeiro do eu desvinculado do conhecimento de Deus. Ele é o único ponto de referência que é confiável. Portanto, quando leio que Deus é longânimo, percebo que não sou longânima. Quando leio que Deus é tardio em Se irar, percebo que sou rápida em me irar. Quando leio que Deus é justo, percebo que sou injusta. Perceber quem Ele é me revela quem eu sou diante da verdadeira luz. Uma visão de um Deus elevado e exaltado revela o meu pecado e aumenta o meu amor por Ele. Tristeza e amor levam ao arrependimento genuíno, e eu começo a me conformar à imagem dAquele que contemplo.

Se eu ler a Bíblia procurando a mim mesma no texto antes de procurar por Deus, eu posso de fato aprender que não devo ser egoísta. Posso até tentar mais arduamente não ser egoísta. Entretanto, até que eu enxergue o meu egoísmo através das lentes do absoluto altruísmo de Deus, não compreenderei adequadamente a pecaminosidade disso. A Bíblia é um livro a respeito de Deus. Assim como Moisés aprenderia durante o Êxodo, quem Ele era não exerceu qualquer impacto no desfecho de sua situação. Quem Deus era fez toda a diferença. […]

Se a nossa leitura da Bíblia concentrar os nossos olhos em qualquer outra pessoa que não seja Deus, temos virado o processo de transformação de trás para a frente. Todo estudo da Bíblia que busca estabelecer a nossa identidade sem antes proclamar a identidade de Deus nos prestará uma ajuda parcial e limitada. Devemos desvirar o nosso hábito de perguntar “Quem eu sou?” Devemos perguntar primeiro: “O que esta passagem me ensina a respeito de Deus?”, antes de pedirmos para que ela nos ensine qualquer coisa acerca de nós mesmos. Devemos reconhecer que a Bíblia é um livro a respeito de Deus.

– Jen Wilkin, Mulheres da Palavra: Como estudar a Bíblia com nossa mente e coração (Fiel, 2015), p. 27-33 (grifo nosso).

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