Do Brasil para o mundo

Publicado em 22/01/2014 por Matheus Cardoso como Igreja, Missão
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São Paulo sedia reunião internacional de Missão Global e igreja paulistana é apontada como referência de evangelismo para pós-modernos

Ponto obrigatório do turismo de negócios na América do Sul, São Paulo também é referencia no evangelismo para pós-modernos e secularizados. Prova disso, é que 20 líderes internacionais da área de Missão Global estiveram reunidos na Capital paulista, nos dias 28 de novembro a 3 de dezembro [de 2011], para discutir e organizar o trabalho evangelístico que visa alcançar judeus, muçulmanos, budistas, hindus e pós-modernos ao redor do mundo. Os líderes colocaram na pauta conhecer de perto a Igreja Adventista Nova Semente que, para eles, é referência no evangelismo segmentado.

No grupo, além dos diretores dos quatro centros de estudos de Missão Global da sede mundial da Igreja Adventista, estiveram presentes um dos vice-presidentes da denominação, o pastor americano Mike Ryan, e o secretário-executivo, pastor G. T. Ng, de Cingapura.

Durante as reuniões, os diretores de cada área apresentaram relatórios, debateram sobre contextualização do evangelho, reavaliaram a visão e missão dos centros de estudo e oraram pelos desafios da Igreja. Eles também definiram a pauta para a próxima reunião, em abril, na sede mundial da denominação, quando conversarão sobre o processo de conversão de pessoas de religinões não cristãs para o adventismo.

Boa impressão

No sábado, 3, último dia da delegação no Brasil, eles assistiram a toda programação sabática da Igreja Adventista do Sétimo Dia Nova Semente. Na avaliação do pastor G. T. Ng, o adventismo no Brasil é muito dinâmico, o que contribui para o evangelismo de Missão Global. Segundo ele, o público segmentado requer tratamento diferente e único. “A Nova Semente está fazendo isso”, completa. A participação na adoração sabática deixou boas impressões no secretário, que retornou motivado com o que viu. “Não é comum ver um trabalho tão bonito em nossas igrejas. Temos que tentar novas experiências  para alcançar esses públicos e aqui está sendo um sucesso”, pontuou.

Para Rick McEdward, diretor-geral dos centros de estudos de Missão Global, o povo brasileiro é muito animado e empolgado com a missão. E é justamente desse espírito que a Missão Global este precisando. “O dia em que a igreja, em um contexto mundial, estiver assim como está aqui no Brasil, pessoas com mentes secularizadas, judeus, budistas, hindus e muçulmanos irão receber a mensagem adventista, o que abreviará a volta de Jesus”, concluiu.

O desafio

O crescimento do números de pessoas com mentalidade secular e pós-moderna é um fenômeno das últimas décadas e predominantemente urbano, sendo assim um dos maiores desafios da Igreja Adventista nas metrópoles de todo o planeta. Esse público costuma ter um perfil específico, alto grau instrutivo, elevado poder aquisitivo, e um histórico de indiferença ou de experiências negativas com as igrejas cristãs tradicionais. Portanto, para ser relevante para esse segmento, é necessário adaptar a abordagem evangelística a fim de romper com sua resistência à religião institucionalizada.

É isso que a Nova Semente tem procurado fazer, desde que foi fundada em 2005. Atualmente, localizada num edifício próximo à Avenida Paulista, centro financeiro do País, a igreja recebe semanalmente cerca de 800 pessoas. O pastor da congregação, Kleber Gonçalves, diz que quando a intenção é atingir um público específico, costuma ser inviável utilizar as estratégias tradicionalmente usadas pela igreja. “Cada realidade social deve ser avaliada. Não há um sistema pré-definido que se encaixe para todos os tipos de pessoas”, argumenta.

Adaptação

Recentemente nomeado diretor do Centro de Estudos Seculares e Pós-modernos da igreja mundial, o pastor Kleber comenta que trabalhos diferenciados com públicos específicos tendem a levar mais tempo para ser aceitos pelos demais fiéis. Em relação à Nova Semente, para que não fiquem dúvidas, garante: “É uma igreja adventista como qualquer outra em relação aos princípios e corpo doutrinário; só usamos, intencionalmente. uma metodologia diferente.”

O ministro exemplifica que, entre as adaptações, está a opção por um prédio que lembre um centro de convenções, ao invés de uma igreja tradicional. Apesar do otimismo, Kleber reconhece que ainda estamos “engatinhando” no evangelismo para os pós-modernos. Por isso mesmo, esse público é uma das prioridades da Missão Global da igreja mundial.

Fonte: Gabriel Stein, “Do Brasil para o mundo”, Revista Adventista, fevereiro de 2012, p. 37.