Deus na pós-modernidade? – parte 1

Publicado em 26/01/2013 por Matheus Cardoso como Missão, Pós-modernismo
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Com a chamada “pós-modernidade”, a igreja cristã foi levada para as margens da cultura ocidental. É cada vez mais difícil alcançar a sociedade com a mensagem do evangelho de Jesus Cristo.

Quando percebemos essas tendências, é difícil ver como a ação de Deus poderia ser vista na pós-modernidade. Mas seria a pós-modernidade uma estratégia do inimigo, ou é algo que pode ser usado por Deus? Seria ele, talvez, um trampolim necessário para levar a humanidade para mais perto dos propósitos de Deus?

Como alguém que acredita que Deus está presente e atuante no mundo, eu não consigo imaginar um ambiente que deixe Deus “sem testemunho” (Atos 14:17). Eu tenho a convicção de que a mão de Deus está por trás dessas mudanças e creio que estamos caminhando para o lugar que Ele deseja. Abaixo, estão oito motivos principais pelos quais eu penso assim.

1. Senso de fragilidade

Pós-modernos definitivamente não possuem a autoconfiança dos modernos. Muito mais do que seus avós, eles veem a si mesmos como pessoas frágeis e imperfeitas. Com frequência eles vêm de famílias desestruturadas. Quando compartilham suas experiências familiares com os amigos, descobrem que a situação destes não é muito melhor. Em consequência disso, pós-modernos possuem um senso aguçado de fragilidade, uma profunda busca de cura interior. Embora o senso de fragilidade possa levar ao desespero, também pode abrir caminho às refrescantes ondas do evangelho. Uma pessoa precisa perceber que tem um problema antes que possa se interessar na solução.

2. Humildade e autenticidade

Vivendo numa época em que a imagem é dominante, pós-modernos valorizam bastante a humildade, a honestidade e a autenticidade nos relacionamentos interpessoais. Considera-se melhor ser honesto sobre suas fraquezas e dificuldades do que criar uma imagem falsa. Esse princípio está intimamente ligado ao anterior. Pós-modernos desejam compartilhar honestamente esse senso com amigos que consideram confiáveis.

Humildade e autenticidade, obviamente, estão no centro da fé cristã. A confissão dos pecados não é outra coisa senão contar a verdade sobre si mesmo. No modernismo, a humildade era considerada degradante demais para os valores humanos. O pós-modernismo, por outro lado, vê a autenticidade como uma virtude muito valiosa. Deus está levando a cultura a um ponto em que seja valorizada uma das grandes verdades da tradição cristã (João 3:19-20).

3. Busca de identidade e propósito

Pós-modernos buscam um senso claro de identidade pessoal, embora questionem se podem obtê-la sozinhos. Em sua experiência, as reivindicações de identidade feitas por outros com frequência se mostram falhas ou inventadas. Com poucos ou com nenhum modelo de vida, pós-modernos tendem a ter crises de identidade. Eles podem experimentar várias “identidades”, mas acabam sem qualquer pista de qual identidade é realmente deles.

Essa abertura fornece oportunidade para o tipo de identidade que pode ser adquirida ao se descobrir seu valor próprio. Uma fé cristã equilibrada ajuda as pessoas a descobrirem por que estão aqui, de onde vieram e para onde estão indo. Pós-modernos desejam ter uma vida com senso de missão e propósito, a sensação de que a vida deles faz diferença no mundo. De acordo com a Bíblia, Deus tem um propósito para a vida de cada pessoa (Jeremias 1:5).

4. Necessidade de comunidade

Pós-modernos possuem uma intensa necessidade de comunidade. É incrível ver como os jovens e adolescentes atuais se relacionam uns com os outros. Ao contrário da minha geração, é muito menos provável que eles saiam em pares. Eles costumam sair em grupos de cinco (por exemplo, duas garotas e três rapazes) ou de sete (por exemplo, cinco garotas e dois rapazes), sempre em rodas de amigos.

A comunidade (em grego, koinonia) é fundamental para a fé do Novo Testamento. Quando os cristãos aprenderem a experimentar e a expressar o tipo de comunidade ensinada no Novo Testamento, eles verão os pós-modernos bastante interessados no que eles têm a oferecer. Novamente, a mão de Deus parece estar levando a cultura para mais perto do ideal bíblico.

5. Inclusão

Na atitude pós-moderna, existe um senso de inclusão por quem é exótico, fora do comum, ou apenas diferente. As principais forças por trás da inclusão pós-moderna são a globalização e a urbanização. As grandes cidades se tornaram o ambiente no qual uma variedade de etnias, culturas, gostos e crenças entram em contato uma com a outra. E, para que exista uma boa convivência, é necessário ouvir e respeitar os outros. De acordo com a Bíblia, o ideal de Deus é levar as pessoas da exclusão à inclusão. A maior barreira contra a inclusão não é o coração de Deus, mas os corações humanos.

Deus na pós-modernidade? – parte 2