Água fria ou quente versus água morna

Publicado em 03/08/2014 por Matheus Cardoso como Bíblia, Espiritualidade
As fontes terapêuticas de Hierápolis

As fontes terapêuticas de Hierápolis

Conheço as suas obras, sei que você não é frio nem quente. Melhor seria que você fosse frio ou quente! Assim, porque você é morno, nem frio nem quente, estou a ponto de vomitá-lo da Minha boca (Ap 3:15-16, NVI).

A cidade de Laodiceia não tinha abastecimento de água próprio. A água precisava ser canalizada de duas fontes: ou das frias montanhas de Colossos ou das terapêuticas fontes de águas quentes de Hierápolis. Quando essas duas fontes chegavam à cidade, diferente do havia sido planejado, a água na cidade estava morna.

Cristo disse à igreja de Laodiceia que preferia que as águas “fossem frias ou quentes”. Em outras palavras, a água que chegava a Laodiceia não estava quente, como as águas medicinais/curativas/quentes de Hierápolis, nem muito menos eram refrescantes como águas puras/frias/refrigerantes das montanhas de Colossos. Elas eram um meio termo e nauseante!

Ambas as expressões, “águas quentes” e “águas frias”, são metáforas positivas no mundo antigo. A palavra para água fria é psuchros. Jesus disse certa vez: “E se alguém der mesmo que seja apenas um copo de água fria (psuchros) a um destes pequeninos, porque ele é Meu discípulo, Eu lhes asseguro que não perderá a sua recompensa” (Mt 10:42). “Água fria”, no mundo antigo, traz a noção de “refresco” e “refrigério”, coisa muito bem vinda num Oriente Médio árido!

A ideia parece ser que, por um lado, a igreja de Laodiceia não fornecia nenhum “refresco” para o espiritualmente cansado (água fria), nem, por outro lado, cura para os espiritualmente enfermos (água quente). Ela estava apenas “morna” (em grego, mello), cuidando apenas em conseguir riquezas (v. 17), achando que tem de tudo, mas sem comprar ao Senhor Jesus Cristo o ouro, o colírio e as roupas brancas (v. 18).

Assim, diferentemente do que costumamos pensar, a igreja de Laodiceia não é julgada por sua ‘falta de entusiasmo espiritual’, mas por sua indiferença em ter deixado Cristo do lado de fora (Ap 3:20). O problema era a esterilidade e ignorância de suas obras (Ap 3:17b), não uma certa temperatura espiritual ‘do meio’.

Em outras palavras, a questão em Laodiceia não era exatamente que Deus preferiria o incrédulo ou o crente fervoroso ou o crente nominal. O que Deus queria era que a igreja de Laodiceia (1) ou agisse como refrigério para o cansado ou (2) como curativo para o enfermo e não, como acontecia, se satisfizesse em si mesma, deixa Cristo de fora e se orgulhasse dos seus feitos! Em suma, o problema era uma autossuficiência em ter deixado Jesus de fora – ao mesmo tempo em que arrogava para si uma falsa riqueza, ou melhor, uma riqueza ilusória!

Como cristãos, temos muito a aprender da advertência dada a Laodiceia. Afinal, a promessa é:

Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo. Ao vencedor darei o direito de sentar-se comigo em Meu trono, assim como Eu também venci e sentei-Me com meu Pai em Seu trono (Ap 3:20-21).

Referências
BAUER, Bruce. Dangerous Words: A Review of Crazy Love by Francis Chan. Journal of the Grace Evangelical Society. Disponível aqui.

BLOMBERG, Craig. Questões cruciais do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2009.

BÍBLIA de estudo NVI. São Paulo: Editora Vida, 2008.

RUDWICK, M. J. S.; GREEN, E. M. B., The Laodicean Lukewarmness, The Expository Times, v. 59, n. 6 (março de 1958): 177.

(Bruno Ribeiro)